segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Festa de cultura popular de Ribeirão Pires.

“Estou do lado direito do boi”.

No dia 12 de setembro, dando segmento a festa de cultura popular de Ribeirão Pires, onde estou coordenador de teatro, ficou sobre minha incumbência contratar trabalhos que fizessem parte do tema. Por se tratar de uma tarefa que faço com satisfação (para se ter idéia a satisfação é tão grande e maior do que a distância que separa São Paulo do Maranhão). Não pensei duas vezes e contratei uma peça de teatro para o publico infantil, uma oficina de cordel, um trio de forró pé de serra e o grupo CUPUAÇU tradicional em danças folclóricas Brasileiras e por achar, uma das manifestações mais envolvente do repertório dos brincantes, escolhi o BUMBA-MEU-BOI. E claro como faço parte desse universo pedi licença ao mestre, (Amo e tirador de toadas) para que me deixassem brincar (dançar) um pouco. E ao meu querido Maranhão e ao grupo CUPUAÇU, dedico às estrofes em cordel. Os meus agradecimentos a todos que participaram e promoveram de alguma maneira o nosso bonito evento. E viva todas as culturas.


São Luiz é capital
Do estado do Maranhão,
Onde tem festa de boi
Para louvar São João.
Tem matracas e brincantes,
Com fitas esvoaçantes.
No ritmo do “pandeirão”.

Tem dança de todo jeito
No nosso imenso sertão
O passo do “mulundu”
Xaxado, xote e baião.
Tem a dança dos Caretas
No batuque das retretas
Nas terras do maranhão.

Abraços cheios de “ECORDELANÇAS”.



sábado, 21 de agosto de 2010

Oh! santo anjo Querubim, nos proteja da maldade.


.
A coisa que mais odeio
É gente que leva e trás,
Parece até Satanás
Que das profundezas veio.
Gente assim eu bombardeio
Com a cruz da santidade.
Esmagando a crueldade
Do peito desses Caim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

Aqueles que têm dinheiro
Carro bonito e mansão,
Sempre terão na mão,
Puxa saco e trapaceiro.
E também um pistoleiro,
Que pratica só maldade.
Pois pra ele a crueldade,
É um mal que não tem fim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

Tem gente que acorda cedo
E nem faz sinal da cruz.
Não quer saber de Jesus,
Diz que de nada tem medo.
Se alguém lhe encosta um dedo
Não tem se quer piedade.
E com grande vaidade
Faz o maior estopim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

Se eu ligo a televisão
Vejo morte e violência,
Gente pedindo clemência
Outros tendo convulsão.
Meu Deus quanta confusão
Onde está a irmandade.
Diga-me por caridade
Se isso tudo vai ter fim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

É filho matando pai,
É pai estuprando filho
Com isso não compartilho
Ajude-me oh! “ADONAI”.
Pois não sei quando é que vai
Parar tanta “enfermidade”.
Peço-lhe por caridade
Não deixe atingir a mim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

Quando arrumamos emprego
E mostramos competência,
Aparece a maledicência
Na figura de um “pelego”.
Tirando nosso sossego
Falando de lealdade.
Mas é pura falsidade
Cuidado com “gente” assim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

Tem gente que por dinheiro
Mata feto e nascituro,
Depois joga no monturo
Assim vive o trapaceiro.
Dessa forma o embusteiro
Vai “semeando” maldade.
Fazendo aborto a vontade
Pra depois fazer festim.
OH! SANTO ANJO QUERUBIM,
NOS PROTEJA DA MALDADE.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quero ver você rimar.

O DESRESPEITO é grosseiro
Não rima com lealdade,
Deve apanhar no traseiro
Quem anda com falsidade.
Pra você que quer versar,
NATUREZA é a palavra,
Quero ver logo rimar.

NATUREZA, palavra linda
Que contem muita beleza,
Nela, os ecossistemas
Reinam puros, com certeza,
Pra você, que quer versar,
JUSTIÇA é a palavra,
Quero ver logo rimar.

JUSTIÇA, só a divina
Que também é gloriosa,
Pois Jesus é quem ensina
Ser correta, não bondosa.
Já a do homem é vulgar,
BONDADE é a palavra
Quero ver logo rimar.

BONDADE, bela escrita
Que soa fraternidade,
Juntando as duas temos:
A soma da igualdade.
Pra você quer brigar,
ALEGRIA é a palavra,
Quero ver logo rimar.

ALEGRIA é coisa boa
Faz o sujeito feliz.
Anima-se e ri a toa
Quando ler versos que fiz,
Pra você que quer brincar,
CASTIGO é a palavra
Quero ver logo rimar.

CASTIGO, só pega bem
Se for aplicado certo,
Se o sujeito anda na linha,
Aplicá-lo é incorreto.
Se você quer se vingar,
MANSIDÃO é a palavra,
Quero ver logo rimar.

MANSIDÃO, eu peço a Deus
Para o próximo tratar bem,
E todos com igualdade
Não quero excluir ninguém.
Oh! Bom “pastor” me proteja
E sempre comigo esteja,
Homem santo de Belém.

Assis coimbra. Todos direitos reservados.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cidadão?

Vejo muito “cidadão”
Dormindo até ao relento,
Que pra ganhar seu sustento
Cata lata e papelão.
No inverno ou no verão,
Ele coleta ABORRIDO,
O resto do consumido
Pela parte da nobreza,
Que não divide a riqueza
Com o pobre do oprimido.

Do jeito que a coisa vai
Quem é assalariado,
Sempre será confinado
E da miséria não sai.
Chora a mãe e chora o pai,
Em meio a tanta carência.
Porque nem mesmo a ciência,
Explica tanta maldade.
Pois no lugar da bondade
Impera a maledicência.

Sinto-me muito honrado
Em morar no meu Brasil.
Mesmo já sendo senil,
Me encontro revigorado.
Por isso vivo centrado
E sempre estendendo a mão,
Para ajudar meu irmão
Trabalhador excluído,
Que se encontra banido
Pelo o primeiro escalão (...)

Assis Coimbra: Todos direitos autorais.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Antes de vir pra cidade....


Antes de vir pra cidade
Eu morava no sertão,
Caçava de baladeira
De bodoque e mosquetão.
Pegava nhambu, preá,
E botava para assar,
No braseiro do fogão.

Mamãe trazia a cumbuca
Com farinha e feijão,
Depois misturava tudo
Pra completar o pirão.
Dizia: “Podem comer”!
Que a manhã pode não ter,
Nem angu pra refeição.

Num total de doze irmãos
Na escala eu era o quinto.
Minha mãe trabalhadeira,
Isso é verdade, não minto.
O meu pai era um tropeiro,
Viajava o mês inteiro,
Para não nos ver faminto.

Quando chegava de tarde
Ouvia mamãe chamar:
“Acabou a brincadeira”
“È hora de se banhar”.
Ouvindo isso eu corria,
E bem depressa corria,
Pro riacho tibungar.

Às vezes sinto saudade
Do vôo da passarada,
Do pio do bacurau,
Deixando a noite encantada.
Tenho lembrança da choça,
Para o descanso na roça,
No meio da milharada.

Do luar tenho saudades
Que alumiava o terreiro,
Dos vaga-lumes nas moitas
Brilhando que nem braseiro.
Do milho que a gente assava,
Quando a espiga encostava,
Na brasa do fogareiro.

Nunca me sai da lembrança
O aboiar do vaqueiro,
Que corria atrás do gado
Com seu cavalo ligeiro.
Soltando um verso bonito,
Ecoando no infinito,
Nas serras do tabuleiro.

Das estórias de Trancoso
Que toda noite eu ouvia,
Das caçadas de tatu
Do canto da cotovia.
Das festas de são Gonçalo,
Do belo canto do galo,
Quando clareava o dia.

Assis Coimbra
Todos direitos reservados.
É proibido fazer uso sem a devida permissão do autor.
Abraços cheios de “ECORDELANÇAS”.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A lembrança da noite enluarada,.......




A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARA, NÃO ME SAI DA CABEÇA NOITE E DIA.

Mote e glosa: Assis Coimbra.

Quando eu lembro da vida no sertão
A saudade dolente chega ao peito
Pois na roça o serviço era bem feito
Toda ela branquinha de algodão.
Bem bonita com fava e com feijão,
Tinha inhame, maxixe e melancia
E o melão bem gostoso que eu comia,
Todo dia sentado na calçada.
A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARADA,
NÃO ME SAI DA CABEÇA NOITE E DIA.

Eu me lembro do pio do nambu
Cantando bem no meio da chapada,
Quando eu ia fazer uma caçada,
Na esperança de pegar um tatu.
Também procurava mel da Uruçu,
Pra trazer o sustento da família.
E depois da labuta sempre eu ia,
Assistir uma bela vaquejada.
A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARADA
NÃO ME SAI DA CABEÇA NOITE E DIA.

Quando eu ouço o canto da cigarra
O coração acelera no meu peito.
Fico triste, alegre até sem jeito,
A lembrança do meu chão em mim se agarra.
Quando andava descalço na piçarra.
A estrada de tão quente até “tremia”,
E um punhado de farinha eu comia,
Para agüentar o resto da empreitada.
A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARADA
NÃO ME SAI DA CABAÇA NOITE E DIA.

Todo dia quando deito no meu leito
Eu me lembro da vida no sertão,
Do arroz que eu “pisava” no pilão
E com feijão ou quiabo ele era feito.
Pra comer no roçado era perfeito
Antes mesmo que desse o meio dia.
Bem faminto numa cuia eu comia
E deixava a barriga alimentada.
A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARADA
NÃO ME SAI DA CABEÇA NOITE E DIA.

Quando eu era menino no sertão
Pra caçar eu fazia até mundé,
E a noite eu pegava jacaré
Faxiando com luz de lampião.
Com embira amarrava meu calção
Que mamãe costurava e eu vestia.
A brincadeira era tanta que eu nem via
Quando o dia terminava a jornada.
A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARADA,
NÃO ME SAI DA CABEÇA NOIE E DIA.

Da soleira eu ficava a esperar
Para ver muita gente em procissão,
Que passavam entoando oração
Pedindo para Deus chuva mandar.
E assim nossa vida melhorar
Pois a água da chuva logo enchia.
Os açudes e a cacimba vazia
E depressa a semente era plantada.
A LEMBRANÇA DA NOITE ENLUARADA,
NÃO ME SAI DA CABEÇA NOITE E DIA.

Todos direitos reservados ao autor.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Encontro de bons artistas.




O CANTOR E VIOLEIRO WAGNER MINEIRO, QUE ATUALMENTE INTEGRA OS NARRADORES DE CORDEL, AO LADO DO ÍCONE DA MUSICA POPULAR E ERUDITA (A ESQUERDA) PEREIRA DA VIOLA E DEMAIS INTEGRANTES, ANTES DE SE APRESENTAREM NO SESC ITAQUERA.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Só a mãe pode dizer...


SÓ A MÃE PODE DIZER.

Quando nós somos gerados
E vida passamos ter,
Ficamos dentro do útero
Esperando pra nascer.
Se a gente fica doente,
Alegre, triste ou contente,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Nove meses são passados
Nossa mãe passa a gemer,
Dizem: São dores do parto,
A criança vai nascer!
Se é a mais linda do mundo,
Ou vai se chamar Raimundo,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

É na pia batismal
Que o nome se faz valer,
Depois vem a certidão
É assim o proceder.
Mas em qual religião,
Vai batizar o filhão,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Aos três anos de idade
Na pré-escola vai ter
A primeira professora
Pra lhe ensinar escrever,
Mas como se comportar,
Para melhor estudar,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Quando está mais crescidinha
Muito brinquedo quer ter,
Brinca de cabo de guerra
E também de se esconder,
Mas se quer ir para rua,
Achando que é toda sua,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Quando chega adolescência,
Muitos amores que ter,
Não ligando pra estudo
Só vivendo de prazer.
Se está agindo errado,
Deixando o certo de lado,
SÓ A MÃE PODE DIZER. (....)

Assis Coimbra. Todos direitos reservados

sábado, 29 de maio de 2010

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, fala sobre Cordel e SUSTENTABILIDADE.


Literatura de cordel e meio ambiente, não são apenas para datas comemorativas, pois assim for não tem sentido a palavra SUSTENTABILIDADE.


Cresce cada vez mais entre os educadores e professores o interesse pela literatura de cordel, essa maravilhosa forma de contar em versos (seja em quadra, sextilha ou setilha), histórias que encantam os ouvintes, não importando o gênero: jocoso; trágico; aventura; história de amor ou mesmo servindo como instrumento jornalístico. É com particular satisfação que constato essa valorização, tendo em vista minhas origens culturais que tanto tenho lutado para preservar.
Da minha infância e adolescência, marcadas pela cultura popular nordestina, eu Assis Coimbra, lembro-me bem e particularmente de quando morava em São José dos Perdidos, antigo vilarejo de Caxias, Maranhão e via chegarem os poetas de cordel atraindo as famílias para audições atentas de muitas estórias envolventes, como a do pavão misterioso, a chegada de Lampião ao inferno, contos de fada ou mesmo notícias das cidades grandes, que de outra forma não poderiam chegar àquele pequeno povoado, por falta de veículos de comunicação.
Terminada a cantoria, que era como se chamavam as apresentações, ia deitar-me em minha humilde rede, embalado pelas estórias, que me impressionavam pelas aventuras vividas por seus personagens, além da musicalidade e oralidade que permaneciam gravadas em minha mente. Tal emoção fazia-me sonhar em um dia ser um cantador ou cordelista para contar em versos as estórias de “trancoso” (referência ao escritor português, Gonçalo Fernandes Trancoso, ou fruto do imaginário popular), que eu costumava ouvir minha mãe contar. Universo literário do qual agora faço uso nesse novo trabalho, com a dupla finalidade de sensibilizar sobre a importância da preservação ambiental, por meio da linguagem melódico-poética de uma das mais fascinantes vertentes da cultural popular do Nordeste: a literatura de cordel.
A junção destes dois temas (meio ambiente e cultura popular, no caso o cordel), justifica-se por serem eles elementos inerentes e vitais à existência humana e que, portanto, são fatores que devem fazer parte do cotidiano, independentemente de datas comemorativas: dia do Meio Ambiente e Dia do Folclore.

Assis Coimbra: Ator e Cordelista.

sábado, 8 de maio de 2010

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL e Nilce


Nilce, o meu fraterno abraço.

Wagner Mineiro e Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, na Universidade Cruzeiro do Sul


O brigado pela recpção. Meu eterno agradecimento a instituição e essas pessoas maravilhosa.

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, na Universidade Cruzeiro do Sul.


A coordenadora Rosimary, uma incentivadora das artes

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, autografando alguns cordéis na Cruzeiro do Sul


Uma admiradora da literatura de cordel

Público assistindo atento a Palestra de Assis Coimbra, dos NARRADORES DE CORDEL


Platéia atenta e querendo saber muito sobre cordel. Universidade Cruzeiro do Sul.