sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PROVÉRBIOS



Eu vim de terras distantes
Pra lhe trazer um recado,
Então peço que me escute
Pra ficar bem informado,
Pois tudo que vou dizer
É para você colher
E “semear” na “estrada”.
Mas se assim não fizer,
A semente que eu lhe der
Morrerá sem ser plantada.

Se não for pedir demais
Peço a você que se assente,
Pegue um caderno e anote
Pra não ficar só na mente.
Pois quando se esquecer,
Em manuscrito vai ter
O b a BA que eu deixar.
Portanto tenha bom tino
Escreva que eu assino,
Pra você poder guardar.

Peço que diga ao orgulho
Que respeite a humildade,
E quando achar o verdugo
Ensine-lhe a piedade,
Também diga ao avarento
Pra ter dó do sofrimento,
De quem vive na miséria.
E fale pra o invejoso,
Deixar de ser cobiçoso
Que a vida não é só matéria.

Não se esqueça de dizer
A todos usurpadores,
Que além de gananciosos
São ímpios e pecadores,
Pois quem age de má fé,
Um bom cristão nunca é,
É um espírito sem guarida.
Pois o que aqui usurpou,
E todos bens que juntou
Não servirão na “partida”.

Aos jovens que não respeitam
Seus entes progenitores
E na LIDA eles desprezam,
Os mestres educadores,
A estes peço que diga
Que Jesus nunca obriga
Discípulo andar correto.
Mas quem anda assim merece,
Fortifica o alicerce,
Para ganhar o seu afeto

Quando ver o sedutor
Ávido pra conquistar,
Desagregando família
Diga que eu mandei parar,
E se ele não obedecer,
Um dia vai padecer
Na casa do MALFEITOR.
E nunca vai ver Jesus,
Que por nós morreu na cruz
Por ser fiel pregador.

Avise para o coiteiro
Que sem nenhum sacrifício,
Lucra acoitando o mau
Arrumar melhor ofício.
Diga que ainda dar tempo,
Pra sair do CONTRATEMPO
E alcançar a salvação.
Mas se não quiser mudar,
Ele jamais vai habitar
No “templo” de Salomão.

Fale para o preguiçoso
Que só “vive” com fadiga,
Pra parar de dormitar
E se lembrar da formiga.
Que sempre teve bom tino
Pra ceifar a sol a “pino”,
O alimento do inverno.
E que se ele trabalhar,
Ao VIAJAR vai descansar
Nos braços do PAI ETERNO.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados



sábado, 15 de outubro de 2011

UM PORRE DE POESIA.


Imagem extraída do google

Um porre de poesias
Eu já tomei com Camões,
“Me embriaguei” com Drummond,
Poeta das multidões.
Também bebi com Orfeu,
E o drinque que ele me deu,
De versos tinha milhões.

Eu quero tomar um gole
Da bebida poesia,
Pra poder escrever versos,
Pra meu amor todo dia.
E depois de embriagado,
Com ela vôo de lado,
Pra junto da estrela guia.

Fernando Pessoa só,
Vivia cambaleando.
Pois doses de poesia,
Deixavam-lhe “variando”.
Mas mesmo com tal loucura,
Ele inspirou com ternura,
Aquele que faz mestrando.

Um porre de poesias
Vi Jorge Amado tomar,
Abraçado com Gattai,
Os dois bebiam sem parar.
Vi Vinicius de Moraes,
Até a Guiomar Novaes,
Num sarau se embriagar.

Um porre de poesias
Guimarães Rosa tomou,
Para escrever Sagarana
Que muitos contos narrou.
Entre eles Sarapalha
Drama, bonito e sem falha
Que o teatro consagrou.

Baco transformou uvas
Em vinhos com poesias,
E o povo comemorou
Bebendo todos os dias.
Assim fizeram cortejos,
Com farra, sexos e beijos,
Nas mais profanas orgias.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

LIVRO ABERTO.


Imagem extraída do google.
Para se escrever a poesia popular impressa (literatura de cordel) Temos que obedecer algumas regras: Métrica, rima e oração. A seguir um exemplo prático de estrofes de sete versos “SETILHA” e “HEPTASSÍLABO” versos, com sete sílabas poéticas, esquema A B C B D D B, ou seja: As letras repetidas indicam versos que rimam entre si. Exemplo:

O ano de 2012

Que logo se principia,
Vai trazer um livro aberto
Pra gente lê todo dia,
E nele vai está escrito
Até mesmo em manuscrito,
O tema do dia a dia.

Nele vamos encontrar
Receitas que alivia,
O vôo dos beija-flores
E o canto da cotovia,
Um abraço fraternal,
Nunca vai lhe fazer mal,
No tema do dia a dia.

Vai estar escrito também
Pruquê, prumode pruvia,
Pra você tirar as dúvidas
Que surgirão todo dia.
Só não se esqueçam da cruz,
Que nela morreu Jesus,
No tema do dia a dia.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados
Paz, fraternidade, igualdade e muita poesia. Abraços “CORDELADOS”

domingo, 9 de outubro de 2011

OS NARRADORES DE CORDEL no evento CUT CIDADÃ.


Dia 9 de outubro tivemos a honra de participar do evento CUT CIDADÃ, que tem como finalidade oportunizar aos menos favorecidos (ou necessitados), participarem de uma grande ação comunitária promovida pela entidade. Lá, pudemos presenciar muitas ações que realmente o cidadão tem direito e merece, como: Dentistas, médicos (exames de mamografia e vários outros) poupa tempo etc. Também participaram e presenciaram vários eventos culturais, entre os quais, OS NARRADORES DE CORDEL, que mais uma vez estiveram presente em um grande evento (em agosto se apresentaram no FESTIVAL DO CHOCOLATE em Ribeirão Pires), graças à seriedade dos seus integrantes, Assis Coimbra e Emerson Ribeiro, que fazem uso da literatura de cordel, com uma pegada urbana, gracejos, e ambiental, despertando assim em cada cidadão direitos e deveres perante a sociedade. Nossos sinceros agradecimentos, a senhora Priscila, o senhor Eduardo, a senhora Vilma e todos os organizadores que com eficiência e presteza organizaram bonito evento.
Assis Coimbra. Abraços “CORDELADOS” Vejam que até o melhor amigo do homem gosta dos NARRADORES.
Vai começar a segunda apresentção.
Vamos se "aprochegar" gente!!
Os NARRADORES chegando.
E começa os "arteiros" NARRADORES.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O PODER QUE A BUNDA TEM (Não é pornografia

Amigos (as), aqui vai um cordel (ou poema) em linguagem matuta.

“Quarquer errin” na vernácula “mi discurpe”.

Tema: Jocoso e critica social.


Cumpade vou lhe contá

É fato mais qui provado,

Fiquei pensando um bucado

Mode dispois lhe falá.

Ninguém pode cumpará,

Com sentavo ou com vintén.

Nem cum mi nota de cem,

A um trasêro cubiçado.

POR ISSO É QUE TÁ PROVADO,

O PODER QUE A BUNDA TEM.


É que nas mias andança

Em cidade e puvuado,

Fiquei mei abestaiado

Ao oiar muitha fartança.

Pois ao vê muitha abundança

Quasi inté me dá um trem.

Oiano muié que tem

Um bumbum aribitado.

POR ISSO É QUE TÁ PROVADO,

O PODER QUE A BUNDA TEM.


Óio na tilivisão

Muié de tudo que jeitho,

Cun corpão todo peifeitho

Vendeno moto e carrão.

Abisorvente e loção

Mostrano as curvas que tem,

E rebolano vão e vem

Cum vistido bem grudado.

POR ISSO É QUE TÁ PROVADO,

O PODER QUE A BUNDA TEM.


Vejo que arguma dela

Usa um tá de silicone,

Mode parecê um clone

Iguá muié de novela.

Inda aumentão os peitin dela

Pois é assim que cunvém

Dispois dis que é atriz tumém

E tá pronta pru mercado.

POR ISSO É QUE TÁ PROVADO,

O PODER QUE A BUNDA TEM.


Meu bom amigo Mané

Fico inté mi preguntano,

Cuma a coisa tá ficano

Em Deus vão perdê a fé.

Pois não demora em café

Na sua inbalagem vem,

Muié cem roupa tumêm

Prá mió ser disgustado.

POR ISSO É QUE TÁ PROVADO,

O PODER QUE A BUNDA TEM.


Mote e glosa: Assis Coimbra

Todos direitos reservados

domingo, 4 de setembro de 2011

PERFIDIA. Mote e Glosa: Assis Coimbra. Leia e veja se conhece alguém assism.



Tem gente se precisar
Apela pra Ferrabraz
Se vende pra Satanás
Até sua alma lhe dar.
Somente para alcançar
Riqueza, iate e festim,
E bens pra nunca ter fim
Ser em tudo “IMPERADOR”.
E TAMBÉM UM TRAIDOR,
QUE É PIOR DO QUE CAIM.

Conheço muito sujeito
Que para subir na vida,
Torna-se até homicida
Para poder ser eleito,
Pra “VEREANÇA” ou prefeito,
Em qualquer um dará fim,
Pra embolsar muito FLORIM
Vira cruel matador,
E TAMBÉM UM TRAIDOR,
QUE É PIOR DO QUE CAIM.

Eu lhe digo e é verdade
Tem gente que é sorrateiro,
E também muito matreiro
Que demonstra só bondade.
Tal figura de um Abade,
Chega sorrindo pra mim,
“Pra depois me dar um fim”,
Sendo infiel sedutor.
E TAMBÉM UM TRAIDOR,
QUE É PIOR DO QUE CAIM

Amigo tome cuidado
Com juras de amizade,
Pois às vezes a falsidade
Está num gesto falado,
Aqui lhe deixo alertado
Dizendo nos meus "VERSIN”
Que "GENTE" que age assim
Às vezes é bajulador
E TAMBÉM UM TRAIDOE,
QUE É PIOR DO QUE CAIM.

Tem outro que puxa o saco
Do seu chefe o dia inteiro,
E é de janeiro a janeiro
Se transformando em “COSSACO”,
E também em um velhaco
Que só quer um trampolim.
Que pra ter o que está afim,
É mais que bajulador,
E TAMBÉM UM TRAIDOR,
QUE É PIOR DO QUE CAIM.

Tem também o dedo duro
Que finge que é companheiro,
Mas não passa de coiteiro
Um verdadeiro perjuro.
Gente assim eu desconjuro
Não quero perto de mim.
Se eu pudesse dava um “Fim”,
Pois é vil acoitador
E TAMBÉM UM TRAIDOR,
QUE É PIOR DO QUE CAIM.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

OS NARRADORES DE CORDEL NA ESCOLA BARÃO DE MAUÁ











Desde que comecei a fazer teatro em 1969(pouco tempo atrás) descobri que arte e apreciação da mesma, são pra poucos, não por falta de dinheiro para freqüentar as salas de espetáculos, mas talvez por falta de uma gestão cultural junto às instituições públicas nas esferas federal, estaduais, municipais e privadas, que não colocam nas suas grades curriculares temas transversais como: Circo, artes visuais, música, educação ambiental, teatro etc. Talvez seja por isso que a verdadeira arte (pelo menos, acho que toda manifestação artística tem o dever, de despertar sentimentos, emoções, o lúdico e porque não dizer, catarses que despertem no homem o sentimento da cidadania), não seja divulgada. Hoje, integro o grupo NARRADORES DE CORDEL, e sinto na pele o que é viver de arte no meu pais, que tem uma mídia falada e escrita e porque não dizer televisiva, que só divulgam o que lhe é conveniente e assim, manipulam a “massa” que por falta das informações citadas, consomem o que lhe empurram pela garganta abaixo.
Mas em meio a todos esses fatos, ainda existem casos a parte.
E A ESCOLA BARÃO DE MAUÁ, é uma deles, que volta seu olhar para a cultura popular. E foi lá que no dia 31 de agosto, estivemos apresentando OS NARRADORES DE CORDEL, onde fomos muito bem recebidos pela coordenadora Sonia a diretora (peço desculpas por não lembrar o nome) e demais professores interessadas no universo da literatura de cordel. Externamos aqui os nossos agradecimentos.

Assis Coimbra.

domingo, 21 de agosto de 2011

O TABACO CURADOR.

Deixo aqui uma nova versão para esse tema jocoso, outros poetas também ja versaram sobre esse temática. ( quem conhecer, comparem e vejam que a única coincidência é o tabaco. Digo sempre não ao plágio, e também jamais publicarei esse cordel em respeito aos meus colegas de arte. E viva o CORDEL )

O TABACO CURADOR.

Eu vou contar pra vocês
Sem precisar de alarido,
Uma história verdadeira
Pois é fato acontecido.
Da mulher que deu o tabaco
Sem permissão do marido.

Ela sempre dava um jeito
Guardando dentro dum frasco,
Casca de angico, mastruz
Pra curar doente fraco.
Mas seu melhor remédio,
Estava no seu tabaco.

No povoado existia
Uma velha benzedeira,
Sarava febre terçã
Curava até lombrigueira,
Mas quando não conseguia,
Chamavam dona Pereira.

Dona Maria Pereira
Tinha o remédio correto,
Receitava garrafada
Que matava até inseto.
Mas quando isso não servia
O seu tabaco dava certo.

Tinha homem que fingia
Está com dor na espinhela,
Que a doença adquiriu
Levantado uma gamela.
Mentia somente para
Cheirar o tabaco dela.

Quando ela ia passear
Era grande o alarido,
Tinha gente que gritava
E por todos era ouvido.
“É essa que dá o tabaco”
“Na frente do seu marido”.

O marido de tanto ver
O que a sua mulher fazia,
Um dia disse para ela
-Me faça um favor Maria:
Pare de dar seu tabaco
Pelo menos por um dia!

Ela disse:- não se meta
Com aquilo que não é seu,
Pois eu dou pra qualquer um
É só dizer que adoeceu,
Que eu curo na mesma hora,
Dando o tabaco que é meu.

Às vezes formava fila
Que dobrava quarteirão,
Tinha cabra que dizia:
-Hoje daqui saio não.
Se eu não cheirar o tabaco
Pelo menos passo a mão.

Orgulhosa do produto
Que curava até sezão,
Dona Maria ficava
Sentada a disposição.
Para mostrar o tabaco
Que curava multidão.

Em sua casa chegou
Um repórter de Tv.
Dona Maria abriu a porta
E ele disse:- Quer saber?
Eu vou filmar seu tabaco
Para todo mundo ver (...)

Assis coimbra

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CORDEL EM QUADRA. ( Musicado, para apresentação dos NARRADORES DE CORDEL )


NARRADOES E CORDEL
É nosso nome popular,
Passam dias passam meses
Nossa arte é CORDELAR.

Você que não conhecia
Hoje aqui vai conhecer.
O que nós dos NARRADORES
Temos pra lhe oferecer.

Pedimos para vocês
Que prestem muita atenção,
Na rima que o cordel tem
Sua metrificação.

Cordel é literatura
Que veio lá de Portugal,
E aportou na Bahia
No tempo colonial.

E logo foi bem aceito
Pelo povo do lugar,
E também por sul e norte
Com seu verso popular.

O cordel fala de tudo
Que se possa imaginar,
Fala até de Lampião
O conto mais popular.

E de Maria bonita
A mulher de Lampião,
E também de “Padim Ciço”
De sobrenome ROMÃO.

Ele fala de João Grilo
E de Pedro Malazartes,
De Matheus e de Chicó
Retratando suas “artes”.

Fala de muitos flagelos
De seca lá no sertão,
Fala de Mandacaru
Xique-Xique e Cansanção.

Fala de peste e guerra
Que causa devastação,
E não esquece tsunames
Causando destruição.

De Pavão misterioso
Que voa longas jornadas,
E famintos retirantes
Vagando pelas estradas.

Fala da mulher rendeira
Fiando seu algodão,
De vaqueiro e vaquejada
Nos dias de apartação.

Retrata muitas histórias
De princesas encantadas,
E também de feias bruxas
Que se transformam em fadas.

O poeta cordelista
Escreve de tudo um pouco,
Seja ele um erudito
Ou até mesmo um “CABÔCO”

Vou pedir para vocês
Que depois peguem papel,
E quando chegarem em casa
Escrevam nele um cordel.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados.