terça-feira, 22 de junho de 2010

Encontro de bons artistas.




O CANTOR E VIOLEIRO WAGNER MINEIRO, QUE ATUALMENTE INTEGRA OS NARRADORES DE CORDEL, AO LADO DO ÍCONE DA MUSICA POPULAR E ERUDITA (A ESQUERDA) PEREIRA DA VIOLA E DEMAIS INTEGRANTES, ANTES DE SE APRESENTAREM NO SESC ITAQUERA.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Só a mãe pode dizer...


SÓ A MÃE PODE DIZER.

Quando nós somos gerados
E vida passamos ter,
Ficamos dentro do útero
Esperando pra nascer.
Se a gente fica doente,
Alegre, triste ou contente,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Nove meses são passados
Nossa mãe passa a gemer,
Dizem: São dores do parto,
A criança vai nascer!
Se é a mais linda do mundo,
Ou vai se chamar Raimundo,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

É na pia batismal
Que o nome se faz valer,
Depois vem a certidão
É assim o proceder.
Mas em qual religião,
Vai batizar o filhão,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Aos três anos de idade
Na pré-escola vai ter
A primeira professora
Pra lhe ensinar escrever,
Mas como se comportar,
Para melhor estudar,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Quando está mais crescidinha
Muito brinquedo quer ter,
Brinca de cabo de guerra
E também de se esconder,
Mas se quer ir para rua,
Achando que é toda sua,
SÓ A MÃE PODE DIZER.

Quando chega adolescência,
Muitos amores que ter,
Não ligando pra estudo
Só vivendo de prazer.
Se está agindo errado,
Deixando o certo de lado,
SÓ A MÃE PODE DIZER. (....)

Assis Coimbra. Todos direitos reservados

sábado, 29 de maio de 2010

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, fala sobre Cordel e SUSTENTABILIDADE.


Literatura de cordel e meio ambiente, não são apenas para datas comemorativas, pois assim for não tem sentido a palavra SUSTENTABILIDADE.


Cresce cada vez mais entre os educadores e professores o interesse pela literatura de cordel, essa maravilhosa forma de contar em versos (seja em quadra, sextilha ou setilha), histórias que encantam os ouvintes, não importando o gênero: jocoso; trágico; aventura; história de amor ou mesmo servindo como instrumento jornalístico. É com particular satisfação que constato essa valorização, tendo em vista minhas origens culturais que tanto tenho lutado para preservar.
Da minha infância e adolescência, marcadas pela cultura popular nordestina, eu Assis Coimbra, lembro-me bem e particularmente de quando morava em São José dos Perdidos, antigo vilarejo de Caxias, Maranhão e via chegarem os poetas de cordel atraindo as famílias para audições atentas de muitas estórias envolventes, como a do pavão misterioso, a chegada de Lampião ao inferno, contos de fada ou mesmo notícias das cidades grandes, que de outra forma não poderiam chegar àquele pequeno povoado, por falta de veículos de comunicação.
Terminada a cantoria, que era como se chamavam as apresentações, ia deitar-me em minha humilde rede, embalado pelas estórias, que me impressionavam pelas aventuras vividas por seus personagens, além da musicalidade e oralidade que permaneciam gravadas em minha mente. Tal emoção fazia-me sonhar em um dia ser um cantador ou cordelista para contar em versos as estórias de “trancoso” (referência ao escritor português, Gonçalo Fernandes Trancoso, ou fruto do imaginário popular), que eu costumava ouvir minha mãe contar. Universo literário do qual agora faço uso nesse novo trabalho, com a dupla finalidade de sensibilizar sobre a importância da preservação ambiental, por meio da linguagem melódico-poética de uma das mais fascinantes vertentes da cultural popular do Nordeste: a literatura de cordel.
A junção destes dois temas (meio ambiente e cultura popular, no caso o cordel), justifica-se por serem eles elementos inerentes e vitais à existência humana e que, portanto, são fatores que devem fazer parte do cotidiano, independentemente de datas comemorativas: dia do Meio Ambiente e Dia do Folclore.

Assis Coimbra: Ator e Cordelista.

sábado, 8 de maio de 2010

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL e Nilce


Nilce, o meu fraterno abraço.

Wagner Mineiro e Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, na Universidade Cruzeiro do Sul


O brigado pela recpção. Meu eterno agradecimento a instituição e essas pessoas maravilhosa.

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, na Universidade Cruzeiro do Sul.


A coordenadora Rosimary, uma incentivadora das artes

Assis Coimbra dos NARRADORES DE CORDEL, autografando alguns cordéis na Cruzeiro do Sul


Uma admiradora da literatura de cordel

Público assistindo atento a Palestra de Assis Coimbra, dos NARRADORES DE CORDEL


Platéia atenta e querendo saber muito sobre cordel. Universidade Cruzeiro do Sul.

Assis Coimbra, dos NARRADORES DE CORDEL, palestrando na Universidade Cruzeiro do sul


ASSIS COIMBRA

terça-feira, 23 de março de 2010

Assis Coimbra e Wagner mineiro do NARRADORE DE CORDEL em entrevista a Fm UNESP.


Assis Coimbra e Wagner Mineiro, em entrevista á rádio Fm Unesp, com o entrevistador Oscar, o qual agradecem muito pela oportunidade.


Aos poetas populares
Aqui rendo meus louvores.
Ninguém é pós-graduado
Mas na arte são doutores.
São “brincantes”, “rabequeiros”,
Trovadores, violeiros,
E exímios cantadores.

Patativa do Assaré
Foi mestre no que fazia,
Leandro Gomes de barros
Sabia o que escrevia.
E o Manoel Monteiro?
Cordelista verdadeiro,
Na arte da poesia.

Assis Coimbra. Todos direitos reservados.

A Lua




A LUA
Autor: Assis Coimbra.

Poeta GONÇALVES DIAS
Das terras do Maranhão,
Aqui lhe peço licença
Para falar do clarão,
Aquele que vem da lua,
De beleza, toda nua,
ALUMIANDO o sertão.

Saindo de trás da serra,
Chega o luar nos sertões
ENCANDECENDO as florestas
Chapadas e GRUTIÕES.
É uma lanterna potente,
Com seu foco reluzente,
Apascentando corações.

Eu gosto de balançar
Em cadeira preguiçosa,
Olhando a lua no céu
Linda, faceira e formosa!
Brilhando igual um tesouro,
Jorrando raios de ouro,
Meiga, bela e graciosa.

Com seu brilho encantador
A lua nos presenteia,
Com lindo facho de luz
Todo terreiro clareia.
Aonde se contam histórias,
Dos heróis e suas glórias,
Sem precisar de CANDEIA.

A lua também clareia
O REINO DO MAR SEM FIM,
Inspira contos de fadas
histórias de Aladim.
Cintila, o mar Egeu,
Também Marília e Dirceu,
E as flores do meu jardim.

Falta-me até palavras
Pra descrever o luar,
Brilhando na noite escura
Nas terras do meu lugar.
O seu brilho é tão bonito,
Com São Jorge no infinito,
No cavalo a cavalgar.

Belo brilho radiante,
Tem o clarão do luar.
Divino manto de luz,
Que a noite vem clarear.
Com seus raios cintilantes,
A alcova dos amantes,
Quando vão se cortejar.

O luar faz radiante
Os poetas trovadores,
Que cantam suas serestas
Pra Ana, Rita e Dolores.
Até mesmo o grande Orfeu,
Nos seus versos ofereceu,
A lua pra seus amores.

Todos direitos reservados.

sábado, 20 de março de 2010

Quem nasceu primeiro, foi o ovo ou a galinha?


Peleja com Edmilson Garcia e Assis Coimbra.
MOTE: EDMILSON GARCIA.


EDMILSON GARCIA

GENIVAL JA PERGUNTOU
MAS NINGUEM LHE RESPONDEU
AGORA PERGUNTO EU
COMO TUDO COMEÇOU
A NATUREZA CRIOU
TUDO,,SEM FALTAR NADINHA
FAÇO AQUI UMA PERGUNTINHA
ME RESPONDA BEM LIGEIRO
QUEM FOI QUE NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA


ASSIS COIMBRA

Valei-me Nossa senhora
Mãe de Deus de Nazaré
Diga-me como é que é
A resposta que dou agora.
Socorra-me sem demora
Diga-me minha Rainha.
Você que é minha madrinha
Pois querem saber ligeiro.
QUEM FOI QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA.


EDMILSON GARCIA

JACARÉ NASCE DO OVO
MAS NAO É FILHO DE GALO
EU APROVEITO O EMBALO
E DOU O EXEMPLO DE NOVO
A NATUREZA EU LOUVO
POIS À TUDO ELA SE ALINHA
QUANDO EU ÍA,ELA JA VINHA
COM SEU JEITO VERDADEIRO
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA?

ASSIS COIMBRA

Já ouvi muitas perguntas
Difícil de responder.
Mas essa, vou te dizer,
Faz bom aluno sofrer.
Mas eu não vou padecer
Vou perguntar pra vizinha.
Pois ela tudo adivinha
Depois respondo matreiro.
QUEM FOI QUE NASCEU PRIMEIRO,
FOI O OVO OU A GALINHA.

EDMILSON GARCIA

SE A PERGUNTA É MEIO FORTE
E ESTÁ RUIM DE RESPONDER
BASTA SO O AMIGO VER...
UM BOI QUE JA FOI GARROTE
QUE UM DIA JA FOI FILHOTE
E A MAE JA FOI BEZERRINHA
NASCEU DE OUTRA VAQUINHA
E O TOURO É QUE FOI LIGEIRO
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA

ASSIS COIMBRA

O homem já fez de tudo
Vez fragata e avião.
Pro jogador o calção
Veneno pra BORRACHUDO.
Mas logo fica sisudo
Não respondendo nadinha.
Zanga-se, se aporrinha
Se lhe pergunto faceiro:
QUEM FOI QUE NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA.

EDMILSON GARCIA

NAO FIQUE PREOCUPADO
SEJA UM OBSERVADOR
PENSE AÍ NUM PROFESSOR
QUANDO ELE FOI DOUTRINADO
PRA CONSEGUIR SEU MESTRADO
UM EDUCADOR ELE TINHA
TEVE QUE ENTRAR NA LINHA
POIS SEU MESTRE ERA ORDEIRO
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA?

ASSIS COIMBRA

Você podia ficar
No seu canto ai calado.
Degustando um bom GROLADO
E não vim me complicar.
Pedindo para explicar
Essa sua "perguntinha".
“Que é muita engraçadinha”
Responda meu companheiro.
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO,
FOI O OVO OU A GALINHA?

EDMILSON GARCIA

PRA A COISA NAO COMPLICAR
NAO VAMOS BOTAR RODEIO
NO MEIO DO TIROTEIO
SEI QUE NINGUEM QUER FICAR
NAO QUERO AQUI LHE TESTAR
NEM LHE DESVIAR DA LINHA
JA QUE A PERGUNTA É MINHA,
ME DIGA, MEU PARCEIRO
QUEM FOI QUE NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA?


ASSIS COIMBRA

Eu já vi CABRA teimoso
E curioso também.
Igual a esse, não tem
Eita “BICHO ABOMINOSO”!
Deixa agente “AFADIGOSO”
Perguntando “ABOBRINHA”.
Parece a erva daninha
Quando nasce no terreiro.
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA?

EDMILSON GARCIA

VOU REPETIR A PERGUNTA
SEM QUERER LHE ABORRECER
SO ESTOU QUERENDO SABER
JA QUE A PELEJA É CONJUNTA
COM A FRANGA O FRANGO SE JUNTA
E TRANZAM SEM CAMISINHA
DEPOIS VEM,PINTO E PINTINHA
PRA ENFEITAR O TERREIRO
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA?


ASSIS COIMBRA

Já “tomei” coice de mula
De jegue levei também
De leão puxei “sedém”
Comemorei, dancei chula.
Fazendo muita firula
Depois comi “dobradinha”.
Bem cedo de manhãzinha
Só não sei dizer ligeiro.
QUEM FOI QUE NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA.

EDMILSON GARCIA

ESTUDEI, E ESTUDEI
PESQUISEI NÃO DESCOBRÍ
JÁ CHOREI E JÁ SORRÍ
ATE DE PAÍS MUDEI
JURO QUE JÁ PERGUNTEI
ATE PRA MINHA VIZINHA
POIS ELA É TAO BOASINHA
E SABE TUDO, COMPANHEIRO
MENOS QUEM NASCEU PRIMEIRO
SE O OVO OU A GALINHA


ASSIS COIMBRA

Eu vou mandar fabricar
Um cadeado potente.
Pra calar esse insistente
E a língua dele “trancar”.
Pra nunca mais perguntar
Essa “lorota” chatinha.
“Igual um de galo de rinha”
Quando canta no poleiro.
DIGA QUEM NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA?


EDMILSON GARCIA

ANALISEI DIREITINHO
PRA DEPOIS LHES PERGUNTAR
PROCUREI AVALIAR
DESDE O INÍCIO DO CAMINHO
PRA NÃO HAVER DESALINHO
E NÃO VIRAR LADAINHA
SE A PERGUNTA É BOASINHA
ME RESPONDA COMPANHEIRO
QUEM FOI QUE NASCEU PRIMEIRO
FOI O OVO OU A GALINHA

Todos direitos reservados aos poetas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O que fazem os NARRADORES DE CORDEL.




Os NARRADORES DE CORDEL narram, cantam e contam histórias ou fatos em cordel, dando ação ao verso rimado, juntamente com a graça e dinâmica do ritmo, despertando interesse do público pela musicalidade da rima.

Objetivo: Levar ao espectador, o máximo de informação da cultura popular, consciência ambiental, social e ética, sem esquecer a diversão e o lazer.

Justificativa: Os narradores de cordel não têm a pretensão de servir de exemplo, mas é afirmativo em justificar sua existência, tendo como pano de fundo a educação, usando o Teatro e a Contação de Histórias ou fatos, através de narrativas, contos ou toadas ao som de instrumentos típicos que situam os ouvintes nas origens da literatura de cordel.

Assis Coimbra

Os NARRADORES DE CORDEL e ECORDELANÇA.


Assis Coimbra e Wagner Mineiro.
Ecordelança

O espetáculo é totalmente narrativo, versejado em sextilhas, por dois narradores de cordel, que contam de maneira despojada, graciosa e às vezes contundente, a pegada ecológica desde a pré-história e a descoberta do fogo, até a “chegança” de Cabral ao Brasil, extraindo riquezas, como minérios e pau-brasil, entre outros, além de matar, doutrinar (catequizar) e escravizar os índios. Outro ponto enfocado na narrativa é o tráfico e venda de escravos que fez parte do processo de colonização, período em que os negros foram submetidos às mais terríveis torturas, ao mesmo tempo em que mostraram várias formas de resistência, entre as quais as fugas e a formação de quilombos, formando lideranças como, Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares. A narrativa culmina com o avanço industrial e tecnológico do Brasil até os dias atuais.


ASSIS COIMBRA